Comunicações radiotelefônicas entre pilotos de aeronaves, controladores de tráfego aéreo e operadores de estações aeronáuticas requerem o uso das fraseologias padronizadas e exigem facilidade para alcançar entendimento mútuo através do uso de habilidades linguísticas apropriadas. Tendo em vista alcançar maior segurança na aviação civil, a Organização de Aviação Civil Internacional (OACI), em seu Anexo 1, dita normas e requisitos com relação à proficiência linguística de pilotos, controladores e operadores.

Desde o dia 05 de março de 2009, todos os pilotos que pretendam realizar voos internacionais devem apresentar em seus Certificados de Habilitação Técnica a averbação de proficiência linguística em inglês (serão autorizados a compor a tripulação técnica os pilotos que comprovarem proficiência linguística nível 4, 5 ou 6). Essa regra se aplica a qualquer voo internacional, e a todos os pilotos que compõem a tripulação.

Sendo o Brasil um dos países membros da OACI, cabe à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), como autoridade de aviação civil, a responsabilidade de certificar pilotos de aviões e helicópteros. Para que tais pilotos comprovem proficiência linguística, deverão demonstrar habilidade de falar e entender a linguagem utilizada em comunicações radiotelefônicas, através da realização de um teste de inglês, o Santos Dumont English Assessment.

Santos Dumont English Assessment

O Santos Dumont English Assessment – SDEA é o exame desenvolvido pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) para verificar o nível de proficiência na língua inglesa de pilotos, conforme o disposto na regulamentação pertinente, qual seja, Anexo 1 da Organização de Aviação Civil Internacional (OACI) e RBAC 61.
Seguindo as diretrizes da OACI, o Santos Dumont English Assessment avalia a habilidade do candidato em falar e compreender a língua inglesa dentro de contextos relacionados ao trabalho. Incluem-se aí situações de rotina, imprevistas e de emergência, todas elas apropriadas ao contexto operacional, dando ao candidato oportunidade para mostrar sua capacidade de conduzir comunicações radiotelefônicas em língua inglesa de forma eficiente e segura. Assim, em todas as partes do exame as questões são relacionadas ao universo da aviação civil, sendo que muitas aparecem contextualizadas por radiotelefonia e fraseologia padrão de tráfego aéreo. Apesar disso, a produção oral do candidato não será julgada de acordo com a precisão técnica ou operacional, já que o exame procura verificar sua proficiência linguística como um todo.
A escala de proficiência linguística e os descritores holísticos da OACI fundamentam a avaliação do desempenho do candidato. A escala detalha as seis áreas da produção linguística: pronúncia, estrutura, vocabulário, fluência, compreensão e interações. Em cada uma dessas áreas, o formato atual do exame classifica o candidato em cinco níveis – de um a cinco. A nota final é igual à menor nota recebida nas seis áreas. Para ser autorizado a realizar voos internacionais, o piloto deverá obter, no mínimo nível final quatro – Operacional.
O resultado completo, com detalhes sobre o nível atingido pelo piloto em cada área avaliada, é divulgado para o candidato por e-mail pela ANAC, até 30 dias úteis após a realização do exame.

 

Santos Dumont English Assessment constitui-se de uma entrevista oral dividida em quatro partes:

Parte I – Aviation Topics
Parte II – Interacting as a Pilot
Parte III – Unexpected Situations
Parte IV – Picture Description and Discussion

PART 1 – AVIATION TOPICS
Na primeira parte do teste,  os candidatos respondem a questões relativas às atividades cotidianas no desempenho da função de piloto e à aviação de uma forma geral. O objetivo desta parte é fazer com que os candidatos se sintam confortáveis durante a entrevista, criando uma atmosfera favorável para demonstrarem seu conhecimento do idioma. Entretanto, essas respostas também são avaliadas, devendo ser informativas e tendo duração aproximada de 1 (um) minuto cada.

PARTE 2 – INTERACTING AS A PILOT
Na segunda parte do teste, “Interacting as a Pilot”, o candidato vai interagir com o controle de tráfego aéreo desempenhando o papel do piloto de uma aeronave bimotora, cujo call sign é ANAC 123.
Cinco diferentes comunicações radiotelefônicas são apresentadas por meio de dois áudios em cada uma delas. O candidato pode ouvir até duas vezes cada gravação. Caso sinta essa necessidade, é importante que o candidato solicite essa repetição, interagindo como um piloto .
Dentro de cada situação, que pode ser previsível ou inesperada, o candidato deve agir como num role-play – isto é, entrar no papel de piloto e interagir com o controlador de forma apropriada, confirmando ou esclarecendo mal-entendidos como se estivesse numa situação real.
Da mesma forma que o faria se estivesse numa cabine, candidato deve fazer anotações enquanto escuta os áudios. Todas as informações são importantes. Ao final de cada situação da parte 2, após interagir com o controlador, o candidato reportará ao examinador todas as informações compreendidas do último áudio.
O objetivo da parte dois é avaliar a capacidade de compreensão e interação apropriadas do candidato.

PART 3 – UNEXPECTED SITUATIONS
Na terceira parte do exame, “Unexpected Situations”, o candidato escuta três situações diferentes, apresentadas por meio de gravações de diálogos radiotelefônicos entre piloto e controlador. Nesta parte do teste também é permitido fazer anotações.
Cada interação é tocada automaticamente duas vezes, havendo uma pausa de 5 segundos entre elas. Em seguida, o candidato deve reportar todas as informações que conseguiu compreender, reportadas pelo piloto e pelo controlador, bem como responder a uma questão proposta pelo examinador. No final da Parte 3, o candidato deve comparar as situações que escutou com relação ao grau de severidade, soluções possíveis e formas de prevenção.
O objetivo desta parte é não apenas avaliar a capacidade do candidato de identificar e compreender situações reais de emergência ou complicações situacionais através de gravações (canal não-visual), como também de interagir com o examinador ao relatar o que ouviu (face-a-face), fazendo a transição da fraseologia padronizada para o inglês geral. Além disso, as perguntas propostas pelo examinador na parte 3 dão ao candidato a oportunidade de expandir mais suas respostas e de demonstrar melhor sua proficiência no idioma.

PART 4 – PICTURE DESCRIPTION AND DISCUSSION
Na quarta parte do exame, “Picture Description and Discussion”, o candidato deve descrever uma foto ou figura e, então, responder às questões propostas pelo examinador, inferindo, avaliando, levantando hipóteses e comparando as consequências ocorridas em eventos passados, atuais e passíveis de ocorrer no futuro. Em todas as versões é apresentada uma afirmação (statement) relacionada com aviação, e o candidato deve expressar se concorda ou não com ela, justificando sua opinião com argumentos e exemplos.
O objetivo desta parte é avaliar o desempenho do candidato ao sustentar conversas, expressando e justificando opiniões sobre um tópico relacionado à aviação. A habilidade em desenvolver, satisfatoriamente, diálogos de alto nível relacionados ao seu trabalho, utilizando o inglês geral, é o ponto crucial.

 

As habilidades passíveis de avaliação são: pronúncia, estrutura gramatical, vocabulário, fluência, compreensão e interação. A avaliação é feita com base nos descritores holísticos e na escala de níveis de proficiência linguística determinada pela OACI. O candidato pode apresentar 6 níveis de proficiência linguística em cada habilidade: expert (6), avançado (5), operacional (4), pré-operacional (3), elementar (2) e pré-elementar (1), sendo que a menor nota que atingir em qualquer das habilidades supramencionadas corresponderá à nota final.
Para que o piloto seja autorizado a viajar internacionalmente, deverá atingir ao menos o nível operacional (4) como nota final.

Os pilotos que atingirem o nível operacional (4) deverão se submeter a um novo teste após um período de três anos. Aqueles que atingirem o nível avançado (5), deverão se submeter a um novo teste após um período de seis anos. Aqueles que forem reprovados (nível pré-operacional ou abaixo) poderão tentar novamente após 60 dias.

O candidato deverá fazer o download e preencher cuidadosamente a ficha de inscrição, que deverá ser entregue no momento do exame. O preenchimento da ficha de inscrição é de total responsabilidade do candidato.

 

> Veja um exemplo de prova disponibilizada pela Anac

 

Em caso de dúvida, entre em contato com o Setor de Proficiência Linguística da ANAC, pelo e-mail processos.pel@anac.gov.br ou caso sua manifestação seja uma sugestão, elogio, reclamação ou denúncia, a mesma deve ser direcionada a um dos canais de Central de Atendimento da ANAC (https://www.anac.gov.br/fale-com-a-anac) nos termos do Art. 12 Parágrafo único da IN nº 121 de 04 de maio de 2018.

 

ENDEREÇOS PARA AVALIAÇÃO DE PROFICIÊNCIA LINGUÍSTICA:

EPA – CURITIBA
Aeroporto Bacacheri – Hangar 40
Bairro: Bacacheri
Curitiba/PR
CEP: 82.515-180

EPA – BELO HORIZONTE
Praça Santo Antônio, 280
Bairro: Jaraguá
Belo Horizonte/MG
CEP: 31.270-860

EPA SÃO PAULO

Av. Fagundes Filho, 191 – Edifício Dallas Office Park – sala 37
Bairro: Vila Monte Alegre
São Paulo/SP
CEP: 04.304-010

EPA – RIO DE JANEIRO
Rua Buenos Aires, 2 – sala 1502
Bairro: Centro
Rio de Janeiro/RJ
CEP: 20.070-022